...um espaço de crítica e adulação...eliminando obstáculos e criando preconceitos...que se apoia na razão e enaltece os sentidos...que leve todos à virtude do equilíbrio e à cegueira extrema...um veículo de independência e de vinculação doutrinal...que preconiza a ciência e destrói o conhecimento...que estabelece o consenso e fomenta a divergência...o lugar-comum do infinito naquilo que de melhor o Homem faz: pensar...e porque não...seguir o instinto?...
terça-feira, agosto 30, 2005
"DESCOBRI-VOS!"
sexta-feira, agosto 26, 2005
Por ouvir falar em incêndios florestais...(ANIF:mais uma)
Para que o caro leitor se possa enteirar, estes são alguns organismos públicos de prevenção, fiscalização, combate, estudo e investigação dos incêndios florestais em Portugal:
- Agência para a Prevenção dos Incêndios Florestais (APIF);
- Autoridade Nacional para os Incêndios Florestais (ANIF);
- Brigadas Autárquicas de Voluntários (BAV);
- Centros de Prevenção e Detecção de Incêndios Florestais (CPD);
- Centros Distritais de Operação e Socorro (CDOS);
- Centro de Formação Especializada de Incêndios Florestais (CFEIF);
- Centro Nacional de Operações e Socorro (CNOS);
- Conselho Nacional de Reflorestação;
- Comissões Regionais de Reflorestação;
- Comissões Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios (CMDFCI);
- Comando Operacional Conjunto do Estado-Maior-General das Forças Armadas (COC/EMGFA);
- Corpo Nacional da Guarda Florestal (CNPF);
- Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF);
- Direcção-Geral Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano (DGOTU);
- Governos Civis;
- Gabinetes Técnicos Florestais (GTF);
- Guarda Nacional Republicana (GNR);
- Instituto da Conservação da Natureza (ICN);
- Instituto de Meteorologia;
- Ministério da Administração Interna (MAI);
- Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas (MADRP);
- Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR);
- Polícia Judiciária (PJ);
- Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil (SNBPC);
Agora imagine-se a quantidade de recursos humanos, o conflito de competências e atribuições e a enorme burocracia existente a gerir tudo isto. Não sei o que o leitor pensa, mas estando eu em Portugal agouro IMPOSSÍVEL coordenar eficazmente todos estes organismos (até já estou a imaginar a quantidade de “ chefes” a querer mandar...).
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Decerto não terei as capacidades do Srº General e das pessoas que o coadjuvam na ANIF, mas vou ter a displiciência e ousadia de tomar virtualmente o órgão que actualmente este ocupa e fazer as minhas declarações (mais que óbvias) para a comunicação social, hipoteticamente a convite de um qualquer jornal diário de grande tiragem:
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(com ar sisudo e postura entro na sala e sento-me...)
- coff...coff...
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- Boa tarde srªs e srs.
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- Este ano foi ímpar nesse flagelo que são os incêndios florestais, mas não há razão para alarmismos! É certo que o trabalho desenvolvido ao longo destes meses foi árduo e severo, mas também frutífero (ahaha), através dele conseguimos retirar inúmeras ilações (que todos nós sabemos): a articulação dos organismos é ineficaz, a imensa burocracia retira agilidade aos bombeiros, a articulação dos organismos é inexistente, os meios são escassos, a articulação dos organismos é desarticulada, a formação dos profissionais de combate ao incêndio é desadequada, a articulação dos organismos é contraproducente e por último, a articulação dos organismos é uma palhaçada (ok, palhaçada não diria...é muito suave...fica um adjectivo ao vosso critério);
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- Com a nossa investigação, o desenrolar da situação e o controlo das operações no terreno, gostaria então de enumerar algumas medidas a tomar de futuro, que constam no relatório elaborado pelo organismo que represento e que ora passo a apresentar (e agora vem a parte que qualquer cidadão mais atento por esta altura também saberá):
- Promover acções de silvicultura preventiva e de melhoria de infra-estruturas;
- Melhor vigilância aérea;
- Criar infra-estruturas de apoio a meios aéreos de combate;
- Sensibilizar a população escolar e a população em geral;
- Profissionalizar em definitivo o Serviço Nacional de Bombeiros e criar uma divisão de Sapadores Florestais;
- Formar especialistas em "fogo controlado" e contra-fogo;
- Campanhas de sensibilização para os incêndios;
- Criar uma política de vigilância consistente;
- Apostar na silvicultura preventiva obrigatória e no associativismo florestal;
- Elaborar um cadastro predial;
- Obrigar os proprietários florestais a gerirem as suas parcelas;
- Condicionar o acesso, a permanência e a circulação em zonas florestais críticas, sempre que se justifique;
- Reforçar do contributo das Forças Armadas;
- Melhorar as comunicações e a área de cobertura das mesmas;
- Aumentar em razão de número dos postos de vigias;
- Adquirir de mais helicópteros-bombardeiros;
- Formar brigadas helitransportadas;
- Adquirir aerotanques anfíbios;
- Adquirir buldozers e meios de transportes para a rápida intervenção dos mesmos, tal como alfaias que limpem o terreno de forma a criar corta-fogos junto às povoações;
- Apostar conscientemente no reflorestamento controlado e planeado;
- Agravar fortemente as medidas coactivas e coercivas no combate ao crime;
- Construir pequenas barragens e/ou represas em zonas críticas;
- Concentrar em definitivo num só organismo as atribuições e competências do combate a este flagelo e num só plano a coordenação do planeamento, prevenção, combate e rescaldo;
(e agora eu na pele do jornalista...)
- Não lhe parece que o governo deveria já estar a par dessas necessidades preementes?
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(de volta ao General...)
- coff coff...
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- Bem...cuidado com os churrascos e as beatas mal apagadas! Muito obrigado e boa tarde!
terça-feira, agosto 23, 2005
Por ouvir falar em incêndios florestais....
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Apesar de nem sempre ter sido assim, a limpeza do terreno tem sido descurada, os corta-fogos anteriormente amplos, lavrados e limpos de entulho, apresentam agora visível abandono do seu cuidado; não posso determinar quantos vigias há de momento, mas são decerto menos que há uma década atrás, tal como as pessoas que por aqueles locais habitavam; digam-me lá, se isto não é um barril de pólvora então o que é? A diferença crucial é que esta área não arde tão somente porque a empresa que arrenda e explora tantos hectares, tem amplas vantagens económicas em explorar e retirar anualmente largas toneladas de madeira para a indústria da celulose, pelo que se previne, apesar de ultimamente de forma mais precária continua a ter os seus meios próprios e autónomos, incluindo aéreos, de resto é uma empresa bem cotada na bolsa e como tal não está interessada em polémicas mediáticas sobre a gestão dos seus recursos.
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Por outro lado, penso que o grau de insanidade mental elevada de parte da população portuguesa ainda não atingiu severamente o povo alentejano, que, quer pela sua tradicional pacatez ou quiçá por apresentar uma elevada taxa de suicídios – segundo a ciência psicológica ter tendências suicidas é sinónimo de equilíbrio mental – não desata a inventar novos meios de ignição, tal situação leva-me a acreditar que teremos também que travar um fenómeno social de falta de civismo e a onda de mente-captos que arruina a nossa cotação internacional de povo civilizado e de agradável e natural destino turístico.
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Em boa verdade vos digo, que Portugal arde por excelência através de mão criminosa, seja por pessoas com patologias do foro psicológico, seja por bombeiros desempregados ou frustrados, seja por empresas que pretendem adquirir madeira a baixos preços, seja por proprietários que anseiam por accionar seguros, seja por empresas de aluguer de aeronaves, sejam autarquias ou empresas de construção civil que pretendem desbloquear terreno e burocracia para a construção, seja pela concorrência da indústria de celulose....
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Congratulo-me no entanto, com o facto de possuirmos neste momento os melhores técnicos incendiários da Europa, com a melhor formação técnica e teórica, com larga experiência no terreno, altamente motivados, com pós-graduações em assuntos jurídicos e judiciais, mestrados em subornos e tráfico de influências, doutoramentos em confundir os serviços que actuam e previnem e cátedra em condições meteorológicas e geográficas desfavoráveis ao rápido e eficaz combate ao incêndio.
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Um bem-haja a vós que lêdes estas palavras.
sexta-feira, agosto 19, 2005
Camping Alentejano....
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- Mas mais gritante é ainda a situação que me levou a tomar posição sobre estes tristes factos, há cerca de um mês ao caminhar por uma rua bem no centro da cidade eis que sou confrontado (para meu espanto e indignação) com uma placa de direcção que me informa o caminho a seguir para o tal parque de campismo, placas essas colocadas ex novo dias antes aquando da efeméride das comemorações do dia das Forças Armadas, às quais se deslocou Sua Ex.ª o Sr. Presidente da República. Este deboche das placas felizmente não durou muito tempo e espero por conseguinte que não tenha enganado ninguém, talvez por eu ter sido interceptado por alguém de direito a tirar fotos ou de situação previamente planeada, o que é certo é que 3 dias depois, do raio da placa (essa e outras que sinalizavam centros culturais e museus ainda e já inexistentes) só havia vestígio do sítio; continua no entanto o ridículo do dinheiro mal gasto que a ninguém beneficia...
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- Sem mais me despeço, cordiais saudações.
Reformar, um verbo de pouca acção!

Triste sina.....
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Estou em crer que esta situação de hipertrofia do Estado – que para mim é um problema fulcral – e que os politólogos designam por tecnocracia (governo dos burocratas, i.é., quando ao poder político enfraquecido se sobrepõe o poder dos funcionários) é factor determinante na falta de agilidade de que o Estado e o Governo actualmente enfermam e que gera um desperdício de potencial, tanto monetário como de recursos humanos, não tenho a menor dúvida de quando as leis, regras e procedimentos se tornam excessivas, somente quem está por dentro do sistema o consegue fazer andar ou ao invés bloquear, ainda para mais quando se ocupam lugares sem a devida formação e competência técnica; não quero de modo nenhum dizer com isto que a culpa recai sobre os funcionários, recai antes sobre os altos cargos da administração, sobre as máquinas partidárias e sobre quem idealizou e de quem não soube adaptar às recentes realidades (quer tecnológicas, económicas ou sociais) o nosso sistema administrativo e toda a orgânica estadual.
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Sou defensor de uma economia de mercado, em que o papel do Estado seja somente prover dentro das necessidades colectivas aquilo que em economia livre e aberta os privados não têm interesse em investir, sejam externalidades (positivas ou negativas) tal como bens e actividade cultural, por outro lado o Estado deve-se munir dos instrumentos necessários para regular frágeis sectores da economia que envolvam monopólios ou oligopólios, bem como a actividade da banca e da bolsa, neste aspecto principalmente a concentração de empresas. Acredito que os preços devem ser sempre fixados pela oferta e pela procura e neste esquema bipolar a função do estado é manter esse equilíbrio e acabar com os abusos sempre que os haja, mas nunca em tempo algum deve substituir-se aos agentes económicos ou controlar qualquer aspecto do “jogo” pois isso poderá levar ou à fixação anormal de baixos preços (onde quem paga a diferença é o contribuinte) ou à sua inflação, em suma não acredito, no contexto actual, em economia planificada.
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Não arrogo ter nem o conhecimento nem as soluções adequadas para resolver a nossa conjectura político-económica, vou limitar-me a aventar umas quantas ideias para reformar e relançar na medida do plausível este país que apesar de tudo muito prezo.
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1.1 - Criar uma estrutura coerente de entidades reguladoras, acabando com todas essas esquisitas Altas Autoridades que de capacidade interventiva têm muito pouco sendo por vezes mais um “job” de “boys” que outra coisa; introduzir-lhe um regime jurídico de acordo com o seu papel na economia que as habilitasse e capacitasse para emanar regulamentos e lhe concedesse a possibilidade de levantar providências cautelares sempre que necessário; - Arrancar em definitivo com a requalificação do grande empreendimento que seria esse grande porto natural existente em Sines, dotá-lo de características (linha ferroviária e vias de comunicação rodoviárias internacionais, tal como armazéns frigoríficos…) com as quais pudesse competir com outros grandes como Barcelona e até porque não Roterdão e outros que tal; -Apostar forte e prioritariamente na independência energética nacional, em centrais nucleares e possivelmente em energias renováveis; - Fomentar a participação política activa da juventude desde tenra idade através do ensino de disciplinas eminentemente cívicas; - Instituir nos estatutos partidários a lógica “um partido, várias opiniões” não fazendo o saneamento político sempre que se suscitam divergências, pois isso é deveras uma lição antidemocrática; - Limitar a ocupação de órgão e cargos públicos aos cidadãos sempre que estes tenham praticado crimes de índole económica ou situações análogas que ponham em causa ou tornem incompatível com o envolvimento em funções nas quais se disponha dos bens públicos; - Atribuir às autarquias locais mais competências em matéria de receitas próprias e poder regulamentar expandindo as suas competências e atribuições, tal como aumentar o seu orçamento como forma de nos aproximar aos níveis da UE nesta matéria;
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1.2 - Instituir de uma vez por todas as regiões administrativas, tal como previsto na Constituição, dispensando em revisão extraordinária ou ordinária a figura do referendo, pois tenho noção que a população não está capacitada para decidir uma questão tão complexa; por outro lado as Áreas Metropolitanas (Lisboa, Porto e Algarve) são precisamente a prova dessa necessidade premente; o poder deve estar perto do eleitorado de forma a ser controlado e fiscalizado e a escutar a voz do mesmo; - Aglutinar e criar uma só força de segurança pública, minimizando os desperdícios de recursos que duas forças (GNR e PSP) geram; - Reestruturar as Forças Armadas, concentrando-as, profissionalizando-as e limitando o seu efectivo ao essencial para o patrulhamento do nosso território e fazer cumprir as nossas obrigações junto da NATO; - Criar uma Inspecção-Geral do Estado, que congregasse todas as outras no seu seio de forma a haver elo entre si, concedendo a estes inspectores amplos poderes ( que nalguns casos já acontece) e claro está uma remuneração adequada às características do seu serviço, de modo a combater a corrupção e o suborno; distribuir delegações na proporção de uma por região; - Extinguir o obsoleto, estritamente “tachista” e de lançamento político que é o órgão Governador Civil, tal como irreversivelmente as sua atribuições e competências; - Extinguir as circunscrições administrativas distritais, tais como quaisquer outras (pescas, florestas, agricultura e até as do poder jurisdicional) e simplificar todo o imbróglio de órgãos e serviços adaptando-os à lógica e à divisão que seria a realidade regional; - Extinguir em grande número os mais de 800 Institutos Públicos que a meu ver disparatadamente compõem uma parte da administração indirecta do estado; - Extinguir a categoria de Secretário e Subsecretário de Estado, pois têm somente competências delegadas e protocolares, em minha opinião é mais um cargo de lançamento político (e isso faz-se dentro dos partidos); limitar o número de pessoas que compõem os gabinetes ministeriais; - Fundir e por conseguinte extinguir muitas das ineficazes Direcções-gerais que compõem a administração central do estado, adaptando por conseguinte as suas Direcções-Regionais à realidade e lógica das Regiões Administrativas; -Criar um coerente sistema de avaliação e corrente reciclagem numa lógica de mérito dos órgãos e agentes administrativos; estabelecer termo nos contratos com opções de preferência; - Proceder à gestão, tanto de estabelecimentos públicos (Universidades e escolas em geral, hospitais, etc…) como das fundações públicas (extinguindo umas quantas e alterando o seu regime jurídico) numa lógica empresarial (criando administrações mistas com gestores e profissionais da área) nunca esquecendo as atribuições e lógica de prestação de serviço público que têm essas estruturas tal como a saudável gestão dos recursos;
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2. - Reduzir o número de deputados à Assembleia de República para o mínimo previsto no artº148 CRP -180 deputados; - Transformar o nosso sistema eleitoral num sistema a duas voltas, concorrendo primeiro todos os partidos, na segunda volta apenas os dois mais votados, traçando assim um sistema de bipartidarismo; por outro lado as Assembleias Regionais manteriam um sistema multipartidário;
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3. - Alargar as competências do Tribunal de Contas a todo o sector empresarial do estado e fazer vincular as suas decisões e dando origem o processos contenciosos sempre que seja o caso; - Aumentar em razão de número e distribuição nacional dos julgados de paz e informatizar de uma vez por todas a justiça, tal como abrir vagas no CEJ para a formação de novos Magistrados e levar por diante o projecto da “Cidade da Justiça” de forma a dar resposta em termos de condições e centralização aos tribunais superiores entre outros;
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Muito mais havia a propor, nomeadamente em soluções económicas, mas a palestra já vai longa e ao povo esgota-se a paciência, talvez numa próxima oportunidade!
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Abraço ao paciente leitor